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    Data da publicação: domingo, 04 de fevereiro de 2018
    Mais de 60% das empresas têm dificuldade em contratar profissionais técnicos
    Por: Redação
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    Como a maioria dos jovens, João Vitor Alves, de 18 anos, já pensa sobre o que quer para o futuro. Ele está terminando o curso técnico de Mecânica de Precisão no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), na unidade de Santo Amaro (SP), Zona Sul da capital paulista, e já sonha com a faculdade de Engenharia Mecânica.

    João, assim como as mais de 435 mil pessoas matriculadas na educação profissional em 2016 no estado de São Paulo, está um passo à frente no mercado de trabalho. Isso porque a região Sudeste é a que mais vai demandar profissionais técnicos qualificados para preencher cargos na indústria até 2020, segundo o Mapa do Trabalho Industrial 2017-2020 do SENAI. Em todo o Brasil, serão necessárias 13 milhões de pessoas com essa qualificação - 6,7 milhões só no Sudeste.


    “Esse curso é uma boa base para quem pensa em fazer Engenharia futuramente”, avisa João Vitor. Mesmo sem ter terminado o curso, o estudante já faz estágio na área e conta que o conhecimento adquirido até agora tem ajudado no desempenho.


    “Eu me sinto totalmente preparado para trabalhar na área em que trabalho. Só com o curso, eu tenho uma base muito boa.” Com o dinheiro do estágio, João Vitor pretende ajudar no custeio da faculdade, que quer tentar ainda neste ano. Apaixonado pela matemática, ele elogia o que conseguiu aprender no curso. “Cálculos que eu nunca tinha visto no ensino médio aprendi no Senai com muita facilidade”, garante.


    Indústria


    De acordo com uma pesquisa da multinacional de recrutamento e seleção ManpowerGroup, 61% das empresas sentem dificuldade na hora de contratar alguém com perfil técnico - a média dos países pesquisados foi 38%. Em uma lista com 42 países, o Brasil ocupa a 4ª posição como país com maior dificuldade na contratação de profissionais com esse perfil.

    No Brasil, apenas 9,3% dos estudantes egressos do ensino médio pensam em fazer curso técnico, enquanto em países como Áustria e Finlândia a média supera os 70%. “O curso técnico é um excelente caminho para o mercado de trabalho na medida em que ele oferece, para a empresa e para o aluno, uma resposta às suas necessidades que configuram uma boa solução para o trinômio ‘qualidade, prazo e custo’”, explica o supervisor de Avaliação Educacional do Senai SP, Fabrício Fonseca.


    Até 2015, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), os principais setores do estado eram Construção, Alimentos e Químicos. A indústria paulista empregou, até então, quase três milhões de pessoas e exportou, no ano passado, cerca de US$ 42,5 bilhões - o equivalente a R$ 143,8 bilhões.


    Demanda


    Em São Paulo, os cursos mais procurados no Senai são Manutenção Automotiva, Edificações e Refrigeração e Climatização. “Por vezes, a gente reformula os currículos e atualiza os perfis de acordo com o que a indústria necessita no momento”, revela Fabrício Fonseca.


    Na lista de profissionais técnicos mais bem pagos no Brasil, segundo a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho, estão Técnico em Mineração, Supervisor de manutenção eletromecânica e Supervisor de fabricação e montagem metalmecânica. O salário desses profissionais pode variar entre R$ 7 mil e R$ 10 mil.


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