
O conflito envolvendo o Irã já começa a provocar impactos além do Oriente Médio e acende um alerta global para o abastecimento de alimentos. A instabilidade na região tem afetado rotas marítimas estratégicas e encarecido insumos essenciais para a produção agrícola, como os fertilizantes.
Nesta terça-feira (24), a Rússia anunciou a suspensão temporária das exportações de fertilizantes por um mês, com o objetivo de priorizar o mercado interno. A medida aumenta a preocupação internacional, já que o país é um dos maiores fornecedores mundiais desses insumos, fundamentais para garantir a produtividade no campo.
Segundo o Programa Mundial de Alimentos (PMA), cerca de 45 milhões de pessoas podem enfrentar a fome caso o preço do petróleo se mantenha acima de US$ 100 o barril nos próximos meses. O aumento no custo da energia já impacta diretamente o transporte de alimentos e a produção de fertilizantes, cuja fabricação depende do gás natural.
Além disso, a insegurança na região do Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de um terço do comércio global de fertilizantes — tem forçado navios a adotarem trajetos mais longos. Em alguns casos, embarcações estão contornando a África, o que aumenta o tempo de entrega e eleva os custos logísticos em até 20%.
O preço da ureia, principal fertilizante nitrogenado, já subiu cerca de 50%. A escassez e o encarecimento desses produtos podem comprometer safras futuras, especialmente em países dependentes de importações, como o Brasil, que compra cerca de 25% de seus fertilizantes da Rússia.
Especialistas alertam que, sem a aplicação adequada desses insumos no momento correto do plantio, a produção agrícola pode cair significativamente. O cenário se agrava com decisões recentes de países como China e Rússia de restringirem exportações para proteger seus mercados internos.
Ao mesmo tempo, o Programa Mundial de Alimentos enfrenta redução de recursos, em meio ao redirecionamento de verbas globais para gastos militares. A combinação de alimentos mais caros, menor oferta e aumento de tensões geopolíticas pode intensificar crises humanitárias, especialmente na África e na Ásia.
A situação reforça um ciclo preocupante: a escassez de alimentos tende a aumentar a instabilidade social e política, potencializando novos conflitos ao redor do mundo.
