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Um plano contra enchentes na Bacia do Rio Capivari começa a ser elaborado a partir deste mês pela Agência das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ). O estudo deve elencar providências para 15 municípios que sofrem com as enchentes na região.

Foto: Tonny Machado

O Plano Diretor de Macrodrenagem da Bacia Hidrográfica do Rio Capivari, como é oficialmente chamado, tem como objetivo reduzir progressivamente a frequência, a intensidade e a gravidade das ocorrências de inundações onde já são registradas ou nas áreas potencialmente vulneráveis. O projeto deve ser concluído em até 18 meses.



A medida vai envolver 15 municípios: Campinas, Capivari, Elias Fausto, Hortolândia, Indaiatuba, Itupeva, Jundiaí, Louveira, Mombuca, Monte Mor, Rafard, Rio das Pedras, Tietê, Valinhos e Vinhedo.

O estudo foi anunciado em 2019 e, nos últimos dois anos, foi organizado o Grupo de Acompanhamento, e feito o Termo de Referência para a licitação e contratação da empresa que vai fazer os estudos de campo.

“Esse estudo vai trazer elementos para que a gente possa olhar a bacia como um todo. O plano colabora nesses aspectos de ter uma visão global sobre a Bacia, a calha toda do rio. Temos uma expectativa muito grande. Precisamos da colaboração de todos para que este trabalho seja significativo, seja importante para a vida dos nossos municípios. Espero que no final tenha solução e que, se não possa resolver de todo, que possa minimizar a situação que ocorreu neste começo de ano na região” declarou Sergio Razera, diretor-presidente da Agência das Bacias PCJ.

Rio Capivari transbordou no dia 27 de Janeiro na cidade de Monte Mor. Foto: Tonny Machado

O investimento é de R$ 1,2 milhão e os estudos serão realizados pela Profill Engenharia e Ambiente, de Porto Alegre (RS) que recebeu ordem de serviço durante reunião na terça-feira (15) com o Grupo Técnico de Acompanhamento (GTA), composto por representantes e autoridades dos municípios posicionados ao longo curso do rio.



O secretário-executivo dos Comitês PCJ, André Navarro, afirmou que o estudo deve trazer soluções integradas e dados para auxiliar os municípios no planejamento urbano.

Prefeito de Capivari, município mais atingido pelas enchentes nessa bacia, Vitor Riccomini, afirmou que a cidade sofre desde 1970 com alagamentos. “Foram quatro enchentes nesse período. A de 2022 foi a pior de todas. Este plano é um alento para que nos ajude a minimizar essa situação. Que possamos juntos encontrar caminhos para todos esses municípios.”

A Bacia Hidrográfica do Rio Capivari possui 1.568,34 quilômetros quadrados. Com cerca de 200 quilômetros de extensão, o Rio Capivari é um afluente da margem direita do Rio Tietê, cujos principais afluentes são os Ribeirões Sapezal, Piçarrão, Areia Branca, Água Choca e Capivari-Mirim. Suas nascentes localizam-se a 750 metros de altitude, na Serra do Jardim, no município de Jundiaí.

Foto: Tonny Machado

Plano de Macrodrenagem

De acordo com o PCJ, a justificativa para a elaboração do plano é que o crescimento urbano, com ocupação das planícies de inundação, e o consequente aumento da impermeabilização na região, promoveram a diminuição do tempo de concentração da bacia, aumentando a velocidade de escoamento das águas superficiais em direção ao corpo d’água principal e promovendo o aumento das vazões a serem conduzidas pelos canais.

Ao longo do curso, o Rio Capivari recebe resíduos e detritos, além de sofrer os efeitos causados por culturas agrícolas e áreas de pastagens. Outro problema é a carência de obras de drenagem e outros serviços de infraestrutura urbana, como pavimentação e galerias de águas pluviais, que contribuem para o agravamento do problema, uma vez que promovem o carreamento de sedimentos e demais resíduos para os cursos d’água, segundo o PCJ.

As características urbanas dos municípios que compõem a bacia, embora bastantes distintas, também favorecem o cenário das inundações, entre outras questões.

O Plano de Macrodrenagem tem por objetivo caracterizar as causas das inundações ocorridas nas zonas urbanas dos municípios localizados na região. Além disso, apresentar propostas de ações (estruturais e não estruturais) para o controle de cheias, a curto (5 anos), médio (10 anos) e longo (20 anos) prazos, nas áreas urbanas dos 15 municípios.

Foto: Tonny Machado

Quando os diagnósticos ou os prognósticos indicarem a necessidade, serão realizadas ações também nas áreas rurais.

A contratação de empresa especializada para a elaboração do plano tem objetivo de apresentar todos os levantamentos necessários, estudos hidrológicos e simulações hidráulicas, além de diagnósticos, prognósticos e planos de ação.

A ideia é viabilizar a definição de diretrizes gerais de caráter regional, capazes de orientar posteriormente a elaboração ou a revisão de Planos Diretores Municipais de Macrodrenagem, adequados à realidade de cada município e da unidade hidrográfica envolvida.

Após a conclusão, cada município ficará responsável pela implantação das ações indicadas. Entre este ano e 2023, está prevista a realização de quatro seminários e uma audiência pública para discutir o plano. O primeiro seminário será no próximo dia 15 de março.

Foto: Tonny Machado

Enchentes em 2022

Capivari enfrentou no final de janeiro e começo de fevereiro a maior enchente já registrada no município. O rio que corta a cidade chegou a 4,34 metros, sendo que transborda a partir dos 2 metros.

O balanço dos dias de enchente na cidade aponta 5 mil moradores afetados, cerca de 1 mil casas alagadas e 950 pessoas que ficaram desalojadas ou desabrigadas.

Além disso, várias ruas no entorno do rio ficaram tomadas pela água e foram interditadas. Um trecho da Rodovia Jornalista Francisco Aguirre Proença (SP-101), a Campinas-Monte Mor, também teve que ser interditado.

Fonte: G1 Piracicaba

Foto: Tonny Machado