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De acordo com uma pesquisa realizada pela consultoria Indique Uma Preta e pela empresa Box1824, apenas 2% das mulheres negras empregadas no Brasil ocupam cargos de diretoria, enquanto 3% são sócias-proprietárias e outros 3% são gerentes. Com dados recolhidos entre os meses de março e setembro de 2020, o levantamento também atestou que 54% das entrevistadas não exerciam trabalho remunerado, e, dessas, 39% estavam em busca de emprego.

Lançada no final de outubro, a pesquisa “Potências (in)visíveis: a realidade da mulher negra no mercado de trabalho” ouviu cerca de mil mulheres negras, com idades entre 18 e 65 anos. “Apesar de a população negra ser a maioria da população, ela é ao mesmo tempo a mais subutilizada e mais desocupada”, diz Malu Rodrigues, pesquisadora cultural e estrategista de conteúdo da Box1824, segundo o “Portal Geledés“.



“É uma força de trabalho ativa que não consegue entrar no mercado de trabalho e acaba exercendo suas habilidades aquém do que poderia”, completa.

Entre os 46% das participantes da pesquisa que estavam trabalhando, 20% exerciam, no momento da consulta, atividades como autônomas. Das empregadas no mercado de trabalho formal, tão poucas eram presidentes e vice-presidentes que, no resultado final, o percentual foi arredondado para 0%, mesmo existindo casos isolados — com destaque para o Nordeste, de acordo com Rodrigues.

Ainda de acordo com o “Portal Geledés”, 23% das empregadas no setor formal eram assistentes ou auxiliares; 18% eram profissionais de administrativo ou operacional; 8% eram analistas e estagiárias; e 5% eram trainees. Aproximadamente 72% das entrevistadas relataram, inclusive, não terem sido lideradas por uma mulher negra nos últimos cinco anos de trabalho.

“A baixa presença das mulheres negras em cargos de liderança reflete o quanto a diversidade e inclusão não é pensada dentro dessas estruturas”, diz Verônica Dudiman, sócia e cofundadora da consultoria Indique Uma Preta.



“Não é só sobre contratar essas mulheres, elas precisam se manter e ser reconhecidas. Para além de abrir processos de trainee, é necessário olhar para as mulheres que já estão na empresa e avaliar quais políticas estão acordadas ali para que o desenvolvimento dessas profissionais aconteça.”

Para as pesquisadoras, o investimento em diversidade é muito vantajoso para as empresas. Entre os benefícios de incluir políticas de inclusão nos ambientes empresariais, estão: o ganho de melhor reputação entre consumidores; a melhora da performance; e ganhos de inovação, por conta da adição de perspectivas plurais em times de funcionários de contextos mais variados.

“As empresas que estão se posicionando nesse momento têm em seu propósito pensar o futuro”, diz Dudiman. “É urgente ultrapassar a visão de que se trata de favor ou caridade, é uma questão de enxergar o potencial dessas mulheres.”


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