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Trabalhadores da região de Piracicaba (SP) que foram expostos ao amianto começaram a receber atendimento médico após um acordo feito com o Ministério Público do Trabalho (MPT). O amianto é uma fibra mineral considerada cancerígena pela Organização Mundial de Saúde (OMS). As informações são da Procuradoria.

Trabalhadores expostos ao amianto foram atendidos após acordo com MPT — Foto: Divulgação/Cerest

Os ex-funcionários da Brasilit, fábrica de fibrocimento com filial em Capivari (SP), que foram expostos à substância terão acesso a exames diagnósticos para identificar possíveis problemas de saúde por conta disso. A empresa utilizou amianto no processo fabril até 2002.



O acordo com o MPT é para a destinação de valores indenizatórios para o Programa de Monitoramento Regional de Doenças Respiratórias Relacionadas ao Trabalho em Piracicaba.

Os ex-funcionários da Brasilit ou outra empresa da região que tenha usado amianto, e que são moradores de Capivari, Elias Fausto, Piracicaba, Rafard e Rio das Pedras, poderão fazer os exames e serão acompanhados.

Na última quarta-feira (18), o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) recebeu 17 trabalhadores que ficaram expostos por mais de 20 anos ao amianto. Eles passaram por avaliação clínica e devem ser submetidos a exames de imagem.

Rastreio de trabalhadores

Agora, o Cerest faz a busca ativa de pessoas que trabalharam na unidade da Brasilit em Capivari e em outras empresas da região de Campinas que utilizaram amianto no processo produtivo. A intenção é identificar possíveis problemas de saúde nos trabalhadores.



O mais comum deles, segundo o MPT, é a asbestose, uma formação de tecido cicatricial nas paredes pulmonares, provocada pela inalação do amianto, que “endurece” o pulmão e provoca redução considerável da capacidade respiratória, podendo levar à morte.

Caso os ex-funcionários sejam diagnosticados com alguma doença decorrente do contato com o amianto, serão encaminhados para a rede pública, que está preparada para fazer os tratamentos específicos.

G1 entrou em contato com a Brasilit para um posicionamento, mas até a publicação desta reportagem não teve retorno.

Protocolo de atendimento

A Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo publicou em junho uma Resolução da Diretoria do Centro de Vigilância Sanitária, que estabelece um protocolo de atendimento nas unidades públicas de saúde, em todo o território paulista, voltado aos trabalhadores expostos ao amianto.

A medida tem como objetivo direcionar o atendimento, diagnóstico e vigilância da exposição e das doenças relacionadas ao mineral.

A partir da publicação, todo os pontos da rede do Sistema Único de Saúde (SUS) no estado de São Paulo, dos serviços privados, dos serviços de saúde das empresas e dos serviços especializados em engenharia de segurança e em medicina do trabalho devem dar atenção integral à saúde dos trabalhadores e à população ambientalmente exposta ao amianto, incluindo os Cerests e as redes de Vigilância em Saúde.

Proibição

O uso, produção e venda de amianto foi proibido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em todo território nacional em 2017. No estado de São Paulo, uma lei sancionada em 2007 já proibia o uso do mineral.

Fonte: G1Piracicaba


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