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Para tentar contornar o impacto do crescimento desenfreado e das construções desproporcionais à beira da praia em Balneário Camboriú, no litoral de Santa Catarina, a prefeitura da cidade começou uma imensa obra para devolver à paisagem aquilo que sempre existiu naturalmente: uma faixa de areia larga, e o direito ao sol na famosa praia catarinense.

Após poucos dias de trabalho realizado com uma megaestrutura para o alargamento, as alterações na paisagem da praia central já são visíveis, em obra que pretende triplicar a faixa de areia perdida ao longo do desenvolvimento da cidade. A obra tem custo total estimado de R$ 67 milhões e previsão de encerramento de novembro.



Os imensos arranha-céus construídos ao longo dos últimos 70 anos na avenida à beira-mar não só passaram a criar uma grande sombra em partes do dia sobre a praia em Balneário Camboriú, como foram encurtando a dimensão da faixa de areia: atualmente, são 25 metros entre a avenida e o mar. Segundo a prefeitura, a intenção da obra é que o trecho retome sua antiga dimensão, e chegue a cerca de 75 metros de espaço, com possibilidade de retração de 5 metros após assentamento ao fim da obra, prevista para ser concluída em novembro.

A areia utilizada para a ampliação é retirada pela draga Galileo Galilei, em navio de origem belga, de uma jazida localizada a cerca de 15 km da praia a 40 metros de profundidade: uma tubulação submersa conclui o trabalho da draga, fazendo a areia chegar ao local. A estrutura funciona 24 horas por dia e, segundo dados da prefeitura, nos primeiros dois dias de trabalho foram deslocados 120 mil metros cúbicos de areia – a estimativa é de que, ao fim da ampliação, sejam utilizados 2,155 milhões de metros cúbicos de areia.

No navio, 28 funcionários trabalham tripulados para operar a maquinaria da draga, cujo ciclo permite quatro viagens diárias para extração da areia do fundo do mar. Segundo um dos engenheiros que acompanham a obra, a diferença na tonalidade da areia extraída, mais escura que o restante da faixa, se dá pelo fato da areia extraída estar molhada, mas que em poucos dias e com a ajuda do sol a coloração ficará homogênea por toda a praia. Especialistas garantem que a obra não causa impacto ambiental, mas o aparecimento de uma grande quantidade de conchas nas areias levantou a suspeita de desequilíbrio.