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Na província de Helmande, ao sul do Afeganistão, barbeiros estão rigorosamente proibidos de aparar ou raspar barbas de seus clientes, sob o risco de severa punição pela polícia religiosa do novo governo Talibã. A restrição foi informada através de pôsteres espalhados em salões da província, que lembram que “ninguém tem o direito de reclamar” pois, de acordo com interpretação radical, a medida cosmética é vista como violação da lei islâmica.

Segundo relatos coletados anonimamente entre os profissionais da capital, os guerrilheiros talibãs avisaram aos barbeiros que poderão enviar inspetores disfarçados, a fim de confirmar que a ordem para deixarem de reproduzir “o estilo americano” está sendo seguida. Ao longo dos anos do primeiro regime Talibã no Afeganistão, entre 1996 e 2001, proibição semelhante era imposta e, além de obrigar os homens a deixarem suas barbas crescerem, era também proibido cortes de cabelo espalhafatosos.



A ordem possui também impacto econômico, já que diversos profissionais veem a nova lei como um decreto mortal sobre seus negócios: profissionais que há 15 anos trabalhavam em salões e barbearias para manterem suas famílias, agora têm o futuro ameaçado. Pois mesmo nas regiões do país ocupadas pelo Talibã onde a ordem ainda não foi oficialmente instaurada, os barbeiros já começaram a não mais aparar barbas e os clientes em potencial também deixaram de aparar os pêlos faciais, temendo serem tornados em alvo nas ruas.

A interpretação radical que sugere que a Lei Islâmica proíbe que se apare as barbas é contestada por teólogos e especialistas, que afirmam que não há texto ou versículo no Alcorão que obrigue a população muçulmana. A ameaça aos barbeiros é mais uma confirmação de que o Talibã moderado anunciado pelo novo governo não passou de promessa: mulheres já estão proibidas de deixarem suas casas sem a companhia de um homem, e há cerca de uma semana quatro supostos seqüestradores foram fuzilados e tiveram seus corpos pendurados nas ruas da cidade de Herat em exibição.