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O mundo colorido e cheio de brasilidade da artista Tarsila do Amaral (1886-1973) é referência para a animação Tarsilinha, produção da Pinguim Content, que chega aos cinemas na quinta, 17. Um dos nomes emblemáticos do Modernismo, a artista ganha homenagem com essa produção dirigida por Celia Catunda e Kiko Mistrorigo. Mas não pense se tratar de uma história biográfica – não foi essa a intenção de seus idealizadores. Por entre as paisagens e personagens dos quadros da artista modernista, uma menininha de 8 anos viverá uma grande aventura para recuperar as lembranças que foram roubadas de sua mãe.

“Acreditamos que o mais interessante não era contar a vida da Tarsila do Amaral, mas viajar por suas criações, por seus traços e paleta de cores, além de incluir a questão da memória”, afirma Celia. E foi assim que surgiu a personagem Tarsilinha, que passa por diversas aventuras dentro desse universo tarsiliano. “Nós fizemos um trabalho grande de pesquisa, e pegamos a fase mais conhecida de Tarsila, a que ela retratou as paisagens brasileiras, tanto urbanas quanto rurais”, diz Kiko. A ideia foi fazer uma desconstrução dos quadros dela, pegando elementos de cada um e remontando. “Não é o quadro que está ali, mas a gente reconhece as obras através dos detalhes.”



Essa jornada de Tarsilinha começa com ela observando que, após uma ventaria estranha e intensa, sua mãe começa a esquecer as coisas, até mesmo quem é aquela criança ali ao seu lado. Tarsilinha (voz de Alice Barion) terá, então, de superar seus medos e partir nessa jornada para reaver essas memórias. Será uma viagem por dentro de quadros de Tarsila do Amaral, como A Cuca e o Abaporu.

Na história, como explica a diretora, há pontos que aproximam Tarsilinha da artista modernista homenageada. “O que a personagem traz da Tarsila é a coragem de entrar em um mundo novo, se lançar em uma aventura”, afirma Celia, destacando ter sido a artista uma mulher de coragem, de enfrentamento. Outro ponto que ela destaca está no personagem Sapo (voz do Ando Camargo), que tem falas engraçadas. “Vimos nos livros que ela tinha esses diálogos com o Oswald de Andrade, registrados em cartas, com palavras inventadas